Lula cobra reação do STF e acusa Mendonça de divulgação seletiva no caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (15/9), que o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa recuperar a credibilidade diante da sociedade e criticou a forma como informações das investigações sobre o Banco Master vêm sendo divulgadas. Em entrevista à Record, Lula acusou o ministro André Mendonça de promover uma exposição seletiva de dados do caso.
Segundo o presidente, informações sob a responsabilidade de Mendonça estariam sendo tornadas públicas de acordo com interesses específicos, enquanto outros elementos permaneceriam protegidos pelo sigilo. Lula defendeu a divulgação integral dos documentos para impedir que trechos isolados sejam usados para favorecer ou prejudicar pessoas envolvidas nas investigações.
“Então, em vez de vazamento seletivo, de interesse de A ou B, libera tudo para a sociedade brasileira saber a verdade”, afirmou. O presidente também reiterou que todos os agentes públicos mencionados nas apurações devem ser investigados, independentemente do cargo ocupado.
“Não tem trégua. É preciso investigar todos. Se o Alexandre de Moraes for culpado, tem que pagar. Se o André Mendonça for culpado, tem que pagar”, declarou Lula, ao defender tratamento igualitário aos integrantes da Corte.
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Lula questiona afastamento de ministros
Na entrevista, Lula também questionou as razões apresentadas pelos ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques para não participarem do julgamento relacionado a Alexandre de Moraes. Toffoli declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo, enquanto Nunes Marques alegou impedimento.
Os afastamentos ocorreram durante a sessão extraordinária realizada pelo STF na terça-feira (15), marcada por divergências sobre a possibilidade de reunir os procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça. A análise foi suspensa depois de um pedido de vista do ministro Flávio Dino e poderá ser retomada em até 90 dias.
Antes da suspensão, Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia haviam se manifestado contra a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes acompanharam a proposta, enquanto Dino solicitou mais tempo para analisar o processo. O placar provisório, portanto, ficou em quatro votos a dois contra a reunião das ações.
Lula avaliou que a crise representa um sinal de desgaste da imagem do Supremo e voltou a defender mudanças no Judiciário, incluindo novos critérios para a escolha dos ministros e a adoção de mandatos com duração determinada.
“É preciso recuperar a credibilidade da Suprema Corte. Ela precisa ser exemplo para a sociedade brasileira”, afirmou. Para o presidente, eventuais suspeitas contra integrantes do tribunal devem ser apuradas com transparência e sem tratamento diferenciado.
As declarações ocorrem em meio à repercussão de mensagens e relatórios relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os documentos levantaram questionamentos sobre possíveis contatos e relações do empresário com autoridades e pessoas próximas a integrantes do Judiciário. As menções, isoladamente, não comprovam a prática de crimes.
Defendo uma reforma profunda no Poder Judiciário brasileiro.
Precisamos discutir critérios de escolha, tempo de mandato e regras que fortaleçam a transparência e a confiança da sociedade.
E que se investigue tudo, com rigor.
Ninguém pode estar acima da lei.
O Brasil precisa… pic.twitter.com/fobN5EulqF
— Lula (@LulaOficial) September 15, 2026





