De volta às salas: 2026 marca a retomada do público aos cinemas no Brasil?

“Passou um filme, literalmente, na minha cabeça”, disse Elias Fonseca, cinegrafista da Onda Digital, que no domingo (13/9) experimentou sua primeira sessão de cinema na vida, aos 50 anos. Ele foi assistir ao mega-sucesso “Homem-Aranha: Um Novo Dia” aproveitando o preço promocional de ingresso na Semana do Cinema.
A semana é uma iniciativa promovida pelas grandes redes exibidoras no Brasil desde 2022, buscando trazer de volta o público que se afastou da sala escura por causa da pandemia de Covid-19.
Periodicamente, as principais redes oferecem ingressos a preço promocional de 10 reais, além de kits de pipoca e refrigerante por valores mais em conta. Este ano, já houve uma edição da semana em janeiro, e esta mais recente ocorre entre 10 e 16 de setembro.
“Desde a infância, eu ouvia falar sobre cinema e tal, mas só via filmes na televisão”, contou Elias. “No momento de maior emoção, vinha um comercial, plim-plim. Mas hoje não, foi muito gratificante e me emocionei mesmo. Foi muito bacana”.
Um setor em recuperação desde a pandemia
Na verdade, a pandemia apenas acelerou um processo mundial. Em 2019, o chamado “último grande ano” da indústria cinematográfica, a bilheteria mundial bateu recorde de 42 bilhões de dólares, segundo o site Variety.
O cinema já enfrentava a concorrência e a comodidade dos streamings, mas a pandemia veio abalar ainda mais o setor: em 2020, o total de bilheteria mundial despencou para 12 bilhões. Cinemas fecharam em todo o mundo, e as pessoas se acostumaram mais ainda a assistir filmes e séries em casa, ao alcance de um clique.
No Brasil, várias salas e alguns complexos também fecharam no período pandêmico. Mas, pouco a pouco, o setor audiovisual, que contribui mais para o PIB nacional do que a indústria farmacêutica, por exemplo, vem se recuperando, e iniciativas como a Semana do Cinema contribuem para isso.
Cinépolis projeta crescimento de público
A Onda Digital conversou com Willy Cravo, diretor de Marketing e Comercial da Cinépolis Brasil, sobre a Semana do Cinema.

Segundo ele, “o mercado brasileiro de exibição vem passando por um processo de transformação e recuperação, impulsionado pela retomada do público e pela força de diferentes tipos de conteúdo. Na Cinépolis, a expectativa para 2026 é positiva: a projeção é alcançar 17 milhões de espectadores, em comparação com os 14,6 milhões registrados em 2025, e uma receita de bilheteria de R$ 410 milhões, frente aos R$ 334 milhões do ano anterior”. Para Cravo, esses números indicam um cenário de crescimento e reforçam a percepção de que o público está retomando o hábito de ir ao cinema.
Ele destaca que, “hoje, mais do que nunca, o cinema disputa a atenção do consumidor com diferentes opções de entretenimento, o que torna importante oferecer uma experiência que valorize a ida à sala, com qualidade de exibição, tecnologia, conforto, formatos diferenciados e serviços que tornem esse momento especial”.
A diversidade de conteúdos também amplia as oportunidades de conexão com diferentes públicos, segundo ele, e ajuda a manter o cinema relevante: “hoje, o setor não depende só dos grandes lançamentos, mas também de produções nacionais, animações, filmes de diferentes gêneros e conteúdos especiais, como shows e eventos exibidos nas salas”, afirma.
Semana do Cinema como estratégia de reaproximação
Sobre o papel da Semana do Cinema nesse movimento, Cravo afirma que a iniciativa é importante para aproximar o público das salas e reforçar o cinema como opção de entretenimento acessível.
“Ao oferecer ingressos e combos de pipoca a preços especiais durante um período determinado, a campanha estimula o retorno de mais pessoas às salas, inclusive consumidores que estavam há algum tempo sem assistir a um filme na tela grande, e é uma oportunidade para o público conhecer ou revisitar diferentes formatos e experiências”, diz o diretor.
No fim das contas, os números colocam 2026 como o melhor ano para o cinema, em termos de bilheteria, desde a pandemia. Vários filmes se tornaram recordistas de público e chamaram as pessoas de volta, como “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, “A Odisseia”, “Toy Story 5”, “Michael”, “Super Mario Galaxy”, “O Diabo Veste Prada 2” e “Obsessão”.
Além de sucessos de bilheteria, esses filmes também dominaram a conversação cultural quando foram lançados, e as pessoas sentiram que era importante vê-los na sala escura, em vez de esperar para assisti-los em casa.
No mercado nacional, a bilheteria já ultrapassou 1 bilhão de reais. Só “Homem-Aranha” já levou mais de 17 milhões de pessoas aos cinemas.
Por melhor que sejam as telas e o conforto de casa, mantém-se viva a experiência social do cinema, com novas Semanas do Cinema formando novos espectadores, sejam eles jovens ou pessoas mais velhas descobrindo o encanto da sala escura pela primeira vez.





