Brasil rebate críticas de Trump e cita operações contra PCC e Comando Vermelho

O governo brasileiro respondeu às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o combate ao crime organizado. Em nota divulgada nesta quarta-feira (16), o Ministério da Justiça afirmou que o país mantém ações permanentes contra facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Trump havia acusado o Brasil de não agir com firmeza suficiente contra os dois grupos, recentemente classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas.
O governo brasileiro contestou a avaliação e destacou operações realizadas por forças de segurança federais. Segundo o Ministério da Justiça, milhares de ações já foram realizadas contra organizações criminosas, com apreensões e prejuízos financeiros para os grupos investigados.
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A pasta também citou a Lei Antifacção, aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do programa Brasil contra o Crime Organizado, criado para enfraquecer financeiramente as facções, melhorar investigações e combater o tráfico de armas.
O ministério afirmou ainda que o enfrentamento ao crime organizado envolve inteligência, investigação, integração entre órgãos de segurança e cooperação internacional.
Na avaliação do governo brasileiro, as críticas dos Estados Unidos não levam em conta esse conjunto de medidas adotadas no país.
Leia a íntegra da nota:
Em 15 de setembro, o governo dos Estados Unidos enviou ao seu Congresso lista anual dos países que identifica como maiores produtores e de trânsito de drogas. O Brasil não integra a lista de 23 países citados.
Entretanto, foi objeto de críticas laterais no documento. O governo brasileiro refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional.
A posição estampada na referida nota desconsideraria, se acolhida em todos os seus termos, os esforços do Governo Federal no enfrentamento ao crime organizado, como a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que prevê penas mais severas para líderes de facções e cria mecanismos que asfixiam suas operações.
Também não levaria em consideração as dezenas de milhares de operações de combate ao crime, por forças federais, com bilhões de reais de prejuízo aos criminosos, bem como as múltiplas ações implementadas em 2026 no âmbito do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio último, que sufoca economicamente as facções, fortalece o sistema prisional, qualifica a investigação de homicídios e enfrenta o tráfico de armas.
A manifestação norte-americana desconsideraria a robusta cooperação já existente entre Brasil e EUA no combate ao crime organizado transnacional. Além disso, convém frisar a proposta entregue pessoalmente pelo presidente Lula no dia 7/5/2026, em Washington, com detalhamento de medidas conjuntas de enfrentamento à lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e combate ao tráfico de armas. Até o momento, permanecemos no aguardo da possível resposta do governo dos EUA.
O Brasil não foi incluído na relação de países formalmente classificados pelos EUA como principais rotas de trânsito ou de produção ilícita de drogas. A alusão registrada no texto não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação norte-americana que rege esse mecanismo anual. Trata-se, portanto, de manifestação circunstancial inserida na parte narrativa do documento, sem respaldo em sua parte dispositiva.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) reafirma que o combate ao crime organizado é prioridade do Governo Federal e vem sendo conduzido de forma permanente por meio de ações de inteligência, investigação, integração entre as forças de segurança e cooperação internacional e jurídica.
O Governo brasileiro seguirá atuando de forma soberana e coordenada no enfrentamento às organizações criminosas, como demonstram os resultados obtidos nos últimos anos. O enfrentamento ao crime organizado transnacional exige atuação contínua, integração entre instituições e cooperação. Essa é a estratégia adotada pelo Estado brasileiro e que continuará sendo fortalecida em defesa da segurança da população brasileira.





